Desenrolados #01: De vaga de Atendente a dono de estúdio
Fala, desenrolados! O projeto finalmente saiu do papel e a gente estreou com o pé na porta. No primeiro episódio do nosso videocast, Gustavo Duque recebeu ninguém menos que Dedig, produtor musical e dono do Index Studio. A nossa missão aqui na Produtora Bússola é clara: ajudar você a crescer na área de cultura e audiovisual em Belo Horizonte. E nada melhor do que começar desmistificando a indústria com quem tem muita história (e perrengue) na bagagem. Pega a visão de como foi esse papo!

MTV, Futebol e o Violão da Tia Acredite se quiser, a música nem era o plano A. A vida do Dedig era jogar bola o dia inteiro e ele até chegou a fazer testes em times. A virada começou por causa de um "perrengue" burocrático: a família perdeu o prazo de matrícula na transição para a escola pública e ele ficou um ano sem estudar. O que um adolescente nos anos 90 fazia com tempo livre? Assistia à finada MTV Brasil, que ele define como o "Instagram da época". Vendo o garoto o dia todo na frente da TV, uma tia resolveu agir: "Esse menino sozinho desse jeito não vai dar muito certo não. E ela comprou um violão para mim, isso em 98, 97 por aí". Sem noção nenhuma, ele foi tirando músicas de ouvido e logo caiu no ambiente em que muitos músicos se formam: a igreja. Foi lá que ele teve o primeiro contato com uma banda ao vivo, o que fez sua cabeça explodir.
O Corre: De Office Boy a Dono de Estúdio O caminho não teve atalhos. Dedig começou a trabalhar aos 15 anos pintando faixas de rua e, depois, como office boy em uma empresa de prótese dentária. A chave virou quando ele bateu na porta de uma escola de música recém-aberta e pediu um emprego. A oferta: O dono disse que só tinha vaga para faxineiro. A resposta: "Pode me dar". Duas semanas depois, ele foi chamado para ser recepcionista. Lá, foi apadrinhado pelo guitarrista Roger Franco, virou professor, gerente de estúdio, sócio e, hoje, lidera o próprio negócio, o Index Studio, que está completando oito anos. No caminho, ele ainda tocou para 45 mil pessoas abrindo shows do Skank com sua banda de hardcore e atendeu nomes de peso da música nacional.
A Realidade Nua e Crua da Cena Se você acha que trabalhar com arte é só glamour, o Dedig mandou a real sobre os maiores erros de quem tá começando: O perigo do deslumbramento: "A primeira grande rasteira foi você se embasbacar por uma coisa, ter tanto apreço por isso que você esquece do que está fazendo e atrasa o seu caminho". Segundo ele, muita gente se perde na diversão do rolê e esquece o foco no trabalho. A doença do individualismo: A pandemia deixou marcas e isolou muita gente. Para Dedig, é uma "doença" o cara se trancar no quarto para fazer um disco sozinho quando poderia compartilhar e construir com os amigos. O abismo da internet: A realidade do mercado é dura. "O cara tem um milhão de seguidores no Instagram, mas ele não põe dez cabeças no show".
O "Anti-conselho" do Dedig Para fechar o papo, a gente pediu aquele conselho fora da caixa. A dica de ouro do Dedig para quem está começando agora e quer investir na carreira é direta: "Cuidado também com cursos (...) tem curso que você só está girando a roda da atenção do algoritmo. Compre as coisas, quer começar a gravar, compre um microfone, compre um cabo, aprenda a ligar ele. Gaste esse dinheiro com você. Aí você faz um curso." Ele também deixou um alerta valioso para as bandas: fujam de acordos e fechamentos que exigem exclusividade e acabam se tornando abusivos, pois a arte, no fim do dia, é coletiva.
Quer colar com a gente? Se você tem uma banda e quer dar um salto profissional, as portas do @indexstudio estão abertas, recebendo a galera todos os dias e ajudando a cena a crescer. E não esquece: o videocast Desenrolados é uma iniciativa original da Produtora Bússola. Para elevar o nível do audiovisual da sua marca, seja em Lives, Cursos ou Podcasts, conheça os nossos serviços direto no nosso site!

